Substâncias absorvíveis pela pele

Postado por em agosto 11, 2016 em Materiais de Segurança e Saúde Ocupacional, Materiais para Ler e Baixar | 0 comentários

Substâncias absorvíveis pela pele

Substâncias absorvíveis pela pele – Por Heitor Borba

 

Os quadros constantes do Anexo 11 da NR-15[1] relacionam os agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por Limites de Tolerância e inspeção no local de trabalho e indicando também a propriedade de absorção por via cutânea.

As substâncias químicas estranhas ao organismo e sem valor nutricional são conhecidas como substâncias xenobióticas. Já as substâncias capazes de causar dano a um sistema biológico, alterando funções ou mesmo levando o individuo a morte (sob certas condições de exposição), são chamadas de substâncias tóxicas.

Apesar da nossa pele consistir numa barreira contra grande parte dos agentes químicos e biológicos, há uma série de substâncias que podem ultrapassar esse obstáculo, causando intoxicações. Para que uma substância possa penetrar no organismo humano através da pele deve possuir certas características químicas permeabilizantes.

Mas há outros fatores que contribuem para que determinada substância seja absorvida pela pele:

a) Pele desprovida da proteção gordurosa => O uso de solventes orgânicos, por exemplo, dissolvem a camada de gordura protetora da pele, deixando a pele desprotegida;

b) Abertura das na pele como cortes e outros danos;

c) Fricção repetida da substância sobre a pele;

d) Cataforese => Introdução terapêutica de substâncias no organismo, através da pele, com uso de corrente elétrica, porém sem dissociação molecular.[2]

Existem muitas substâncias cujas características químicas permitem seu ingresso através da via cutânea. A ACGIH[3] classifica as principais:

a) Anilinas, derivados e compostos semelhantes;

b) Nitrobenzeno e compostos semelhantes;

c) Chumbo tetraetila;

d) Ácido cianídrico e compostos cianogênicos;

e) Fenol, cresol, derivados de alcatrão de madeira e compostos relacionados;

f) Pesticidas.

[4]

ANILINAS E DERIVADOS:

São compostos aromáticos largamente comercializados e utilizados nas indústrias, como por exemplo, na fabricação de corantes, produtos farmacêuticos, indústria de borracha, resinas sintéticas, etc Caracterizam-se por terem um grupo amino (-NH2 -) na sua formulação. Todas as anilinas que possuem características oleosas são solúveis na gordura da pele, penetrando facilmente através da mesma. Os efeitos tóxicos que produzem devem-se ao fato de oxidarem a hemoglobina do sangue, produzindo a metahemoglobina. A metahemoglobina é um composto fortemente ligado ao oxigênio. Isso impede sua transferência normal nas células produzindo cianose.

Estudos apontam ocorrência de tumores na bexiga, os chamados “tumores de anilina”. Também, há ocorrências de tumores cancerosos devido a beta-naftilamida e a benzidina.

Outros compostos deste grupo que penetram na pele são: o, m e p-cloroanilina, usadas na síntese de corantes e outros compostos químicos intermediários, dietilamina, usadas em corantes e na síntese de produtos farmacêuticos, dimetilanilina, usada na síntese de corantes, como solventes e reativos e os isômeros o, m e p-nitroanilina. Muitas destas substâncias podem ser inaladas na forma de vapores ou poeiras, ocasionando o mesmo efeito tóxico.

MEDIDAS DE CONTROLE:

Além das medidas de controle de praxe, utilizadas para todos os tipos de agentes químicos, ressaltam-se as seguintes (quando possível):

a) Vedação dos processos de forma a impedir o contato do agente com o trabalhador;

b) Ventilação exaustora;

c) EPI adequados;

d) Exames médicos periódicos indicados no PCMSO;

Claro que trabalhadores acometidos por doenças cardiovasculares, renais ou alcoolismo não podem desenvolver atividades com exposições a esses agentes nocivos.

NITROBENZENO E DERIVADOS:

Esse grupo químico é caracterizado pelo grupo nitro (-NO2) e possui propriedade semelhantes as anilas, nas propriedades químicas e nos efeitos. A anilina é sintetizada a partir do nitrobezeno.

CARACTERÍSTICAS:

NITROBENZENO C6H5NO2 (azeite de mirbano):

Utilizado em sínteses químicas, tem cheiro de almíxar, é tóxico, formador de metahemoglobina. O contato prolongado pode causar danos ao fígado.

DINITROBEZENO C6H4(NO2)2:

Usado na síntese de pigmentos, explosivos, cânfora e celulóides. Facilmente absorvíveis pela pele e seus vapores são tóxicos, forma metahemoglobina e pode causar danos ao fígado.

DINITROFENOL C6H3OH (NO2)2:

Utilizados em corantes, ácido pícrico, preservantes de madeira, reveladores fotográficos e amidol. Menos tóxico que os demais. Porém, em exposições prolongadas a altas concentrações podem ocasionar cataratas e lesões hepáticas;

NITROFENOL NO2C6H4OH:

Usados na síntese de pigmentos. Tem cheiro adocicado. São menos tóxicos que os demais, mas podem ocasionar danos à saúde, quando em exposições prolongadas. Podem ser absorvidos também por via respiratória e através da pele intacta.

NITROTOLUENO NO2C6H4CH3:

Podem ser utilizados na fabricação de explosivos e síntese de pigmentos. Também são formadores de metahemoglobina, porém, de menor toxidade. Apesar de ser de menor toxidade, deve ser manuseado com cuidado, por ser absorvíveis pela pele e vias respiratórias.

TRINITROTOLUENO C6H2CH3(NO2)3:

Podem ser utilizados na fabricação de explosivos (alguns isômeros). São instáveis quimicamente podendo explodir a altas temperaturas e acima

de 240 oC. Podem causar anemia aplástica e danos ao fígado. Mas não são bons formadores de metahemoglobina.

MEDIDAS DE CONTROLE:

a) Precauções quanto as características explosivas da substancia;

b) Evitar o contato com a pele e vias respiratórias;

c) Monitorar o ambiente de trabalho objetivando evitar exposições a altas concentrações;

d) Realizar treinamentos sobre os riscos envolvidos;

e) Realizar exames médicos ocupacionais;

f) Elaborar projeto de ventilação local;

g) Elaborar Plano de Contingência para mitigação dos efeitos em casos de acidentes ocupacionais e ambientais;

h) Fazer uso da tecnologia de proteção individual e coletiva aplicável;

i) Elaborar procedimento para higienização pessoal, dos EPI, roupas, ferramentas e ambiente;

j) Disponibilizar as Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) em local de fácil acesso, bem como, os telefones de emergência;

k) Sinalizar o local de armazenagem;

FENOL, CRESOL E COMPOSTOS SEMELHANTES:

Trata-se de composto aromático encontrado no alcatrão de hulha, podendo ser separado por destilação fracionada. Utilizado na produção de um grande número de compostos aromáticos, como explosivos, fertilizantes, tintas, borracha, conservantes de madeira, resinas sintéticas (formol formaldeído), desinfetantes, inseticidas e ainda, compostos medicinais.

CARACTERÍSTICAS:

As vias principais de penetração são a cutânea e a respiratória. Sobre os tecidos exerce efeito corrosivo. A ação anestésica mascara a dor que deveria ser ocasionada pela corrosão dos tecidos. A inibição da dor leva a uma exposição de maior grau, levando a danos mais graves, como queimaduras e intoxicações. Os sintomas dessa intoxicação incluem fraqueza, confusão mental e respiração rápida e irregular. Exposições agudas podem levar a morte em poucos minutos.

MEDIDAS DE CONTROLE:

a) Processar em equipamentos projetados e operados por trabalhador qualificado;

b) Evitar o contato com a pele e vias respiratórias;

c) Monitorar o ambiente de trabalho objetivando evitar exposições a altas concentrações;

d) Realizar treinamentos sobre os riscos envolvidos;

e) Realizar exames médicos ocupacionais;

f) Elaborar projeto de ventilação local;

g) Elaborar Plano de Contingência para mitigação dos efeitos em casos de acidentes ocupacionais e ambientais;

h) Fazer uso da tecnologia de proteção individual e coletiva aplicável;

i) Elaborar procedimento para higienização pessoal, dos EPI, roupas, ferramentas e ambiente;

j) Disponibilizar as Fichas de Informações de Segurança de Produtos Químicos (FISPQ) em local de fácil acesso, bem como, os telefones de emergência;

k) Sinalizar o local de armazenagem;

l) Projetar local para armazenagem resistente contra o fogo e dotado por equipamentos automático de combate a incêndio.

CREOSOTO

O termo é utilizado para designar um subproduto originado da destilação da hulha, utilizado na preservação de madeiras. O creosoto derivado do carvão mineral (1) é extremamente eficiente na proteção da madeira contra a deterioração biológica. Antes do reconhecimento do creosoto mineral como excelente preservativo de madeiras, outras substâncias foram utilizadas como base para fabricação de creosotos. O termo “creosoto” foi inicialmente aplicado por Reichenbach, em 1832 para caracterizar o princípio antisséptico contido no alcatrão derivado da madeira. Os creosotos vegetais são obtidos por meio da destilação do alcatrão de faia (2) e de outras madeiras. Pode ser constituído de guaiacol (3), creosol, mais fenol (4), cresol (5), pirol (6), piridina (6) e outros compostos aromáticos. É utilizado como antissético, desinfetante, germicida, como conservantes de madeira e na manufatura de produtos químicos.

Outros compostos de características semelhantes ao creosoto e cresol, são o pentaclorofenol e o sodiopentaclorofenato, utilizados no controle de cupins da madeira e outros agentes biológicos.

RISCOS

O contato com pele e olhos pode ocasionar lesões, principalmente nas atividades com manuseio de madeira tratada com esse composto. A ingestão mesmo que em pequena quantidade pode levar a óbito. Atualmente há estudos que comprovam que exposições repetidas causam câncer de pele, semelhante aos cânceres provocados nas exposições ao óleo diesel.

MEDIDAS PREVENTIVAS

Considerando que esse produto é rapidamente absorvido pela pele, as medidas de proteção da pele devem ser aplicadas com rigor. Sua natureza aromática também requer cuidados com os vapores, no tocante a via cutânea e respiratória. Devem ser utilizados os EPI: Luvas impermeáveis, respiradores, avental, óculos contra produtos químicos. Em caso de risco de projeção de respingos, deve ser utilizado respirador tipo máscara facial inteira.

Observações:

(1) Também conhecido como carvão fóssil ou de pedra – pode ser classificado como linhito, carvão betuminoso e sub-betuminoso (ambos designados como hulha) e antracito. A formação de um depósito de carvão mineral exige inicialmente a ocorrência simultânea de diversas condições geográficas, geológicas e biológicas. Primeiro, deve existir uma vegetação densa, em ambiente pantanoso, capaz de conservar a matéria orgânica. A água estagnada impede a atividade das bactérias e fungos que, em condições normais, decomporiam a celulose. A massa vegetal assim acumulada, no prazo de algumas dezenas de milhares de anos – tempo curto do ponto de vista geológico – transforma-se em turfa, material cuja percentagem de carbono já é bem mais elevada que a da celulose;

(2) Nome vulgar dado às 10 espécies de árvores do género Fagus, pertencentes à família Fagaceae. São árvores de folha caduca, nativas da zonas temperadas da Europa, América do Norte e Ásia. Seus frutos são ricos em tanino;

(3) Composto orgânico de ocorrência natural com a fórmula (C6H4(OH)(OCH3). Substância oleosa, incolor e aromático derivada do guaco ou do creosoto da madeira, especialmente da faia. Amostras escurecem quando expostas ao ar e a luz. Guaiacol está presente na fumaça da madeira resultando da pirólise da lignina;

(4) Os fenóis ou benzenóis são compostos orgânicos que apresentam o grupo hidroxila (O – H) ligado de forma direta a um carbono do núcleo benzênico;

(5) Grupo de compostos químicos fenólicos. Existem três formas de cresóis de estrutura química muito semelhantes entre sí: orto-cresol ( o-cresol ou 1-hidroxi-2-metilbenzeno ou 2-metilfenol), meta-cresol ( m-cresol ou 1-hidroxi-3-metilbenzeno ou 3-metilfenol) e o para-cresol ( p-cresol ou 1-hidroxi-4-metilbenzeno ou 4-metilfenol);

(6) Substância orgânica, com algumas características semelhantes ao benzeno (aromática). Também possui uma fraca basicidade, podendo formar sais com ácidos. Compostos relacionados a piridina podem ser produzidos reagindo 1,5 cetonas com nitrato de amônio em meio de ácido acético ou a partir do ácido nicotínico.

Fonte das observações pesquisa: Wikipédia.

Webgrafia:

[1] Anexo 11 NR-15

http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR15/NR15-ANEXO11.pdf

[2] Absorção de substâncias através da pele

http://estudio01.proj.ufsm.br/cadernos_seguranca/sexta_etapa/toxicologia.pdf

http://www.ipef.br/publicacoes/stecnica/nr12/cap10.pdf

http://www.saude.sp.gov.br/resources/sucen/programas/arquivos-seguranca-do-trabalho/sequi5.pdf

[3] ACGIH

http://www.acgih.org/

[4] Fonte geral da pesquisa

http://heitorborbasolucoes.com.br/manual-de-procedimentos-para-os-servicos-de-saude/

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