Exposições ocupacionais aos fumos de soldas

Postado por em agosto 20, 2016 em Materiais de Segurança e Saúde Ocupacional, Materiais para Ler e Baixar | 0 comentários

Exposições ocupacionais aos fumos de soldas

Exposições ocupacionais aos fumos de soldas – Por Heitor Borba

 

Os fumos metálicos originados nos processos de soldagem a arco elétrico são provenientes dos metais que estão sendo soldados e dos eletrodos fundidos.

Arco elétrico é a fusão de metais por meio da passagem da corrente elétrica entre o eletrodo e o material a ser soldado.

Quando originados pelos metais a composição química depende dos metais utilizados. Por exemplo, caso o metal seja aço, os fumos originados possuem grandes concentrações de ferro e menores concentrações dos demais metais formadores da liga. Esses metais presentes dependem do tipo de aço (manganês, cromo, níquel, zinco – presentes em altas concentrações em peças galvanizadas). Os fumos originados do eletrodo são em maior concentração quando utilizados os do tipo MAG, MIG e comum. No consumo do eletrodo TIG a quantidade dos fumos gerados é bem menor. Como os eletrodos possuem composição variável fica impossível precisar a concentração desses metais na fumaça gerada. Os eletrodos mais simples possuem alma de ferro revestida por um fundente. Os utilizados em soldas MAG e MIG são de arame contínuo com alma de ferro juntamente com fundente de cobre.

Nos processos com maçaricos oxigênio e gás, os fumos metálicos são provenientes unicamente do material fundido.

Os eletrodos podem ser do tipo:

a)    Celulósicos – Alto teor de material orgânico;

b)    Rutílico – Alto teor de dióxido de titânio (TiO2);

c)    Ilmenítico – Ferro, titânio e manganês;

d)    Básico – Cal e fluorita;

e)    Cal-titânio;

f)     Pó de ferro – Ferro e silicatos.

Podem compor ainda os eletrodos, carbono, níquel, silício, molibdênio, zircônio, alumínio, cálcio, sódio, potássio, magnésio, cobre, cádmio, fluoretos.

Os níveis das exposições ocupacionais dependem de alguns fatores, tais como:

a)    Voltagem e amperagem da corrente elétrica, utilizadas;

b)    Composição química das peças soldadas;

c)    Composição química dos eletrodos utilizados;

d)    Quantidade e velocidade dos eletrodos consumidos;

e)    Ventilação do local diluidora ou exaustora;

f)     Tipo do processo de soldagem;

g)    Presença de óleos e de outras substâncias nos materiais soldados.

Os tamanhos das partículas dos fumos metálicos gerados por arco elétrico variam entre 0,001 a 2 mm (micrômetros). A retenção alveolar é maior nas partículas de 1 a 5 mm, em geral < que 10% do total. Em soldas MAG com CO2 aumenta o percentual das partículas com diâmetros maiores que 1 mm.

O Limite de Tolerância (TLV) para fumos de solda é de 5000 mm/m3 dos fumos totais (válido apenas para eletrodos mais comuns, nunca para os eletrodos contendo metais de alta toxidade, como por exemplo, o Cd e o Cr). Estudiosos ocupacionais estimam grande probabilidade de ultrapassagem do Limite de Tolerância para fumos metálicos quando o consumo semanal de eletrodos atinge:

a)    30 Kg/semana – Probabilidade de ultrapassagem do TLV em 65%;

b)    50 Kg/semana – Probabilidade de ultrapassagem do TLV em 85%;

c)    75 Kg/semana – Probabilidade de ultrapassagem do TLV em 93%

Danos à saúde:

Fluoretos (eletrodos básico contendo cal e fluorita) – Exposições podem ocasionar a fluorose ocupacional (calcificação dos ligamentos);

Cobre – Exposições causam danos apenas aos acometidos pelo mal de “Wilson”;

Cromo (Soldas com aço inox) – Exposições podem ocasionar cânceres;

Alumínio – Exposições pedem desencadear raros casos de fibrose pulmonar;

Ferro – Exposições prolongadas e intensas podem ocasionar a siderose;

Magnésio – Exposições podem ocasionar a febre dos fumos metálicos;

Cádmio – Exposições prolongadas podem ocasionar danos aos pulmões, rins e dentes;

Níquel – Exposições prolongadas também podem ocasionar febre dos fumos metálicos e alergias;

Manganês – Exposições podem ocasionar o manganismo;

Sílica e silicatos (eletrodos revestidos de silício sob a forma de ferrosilicato, caolim, feldspato, mica, talco) – Exposições continuadas podem ocasionar a silicose;

Zinco – Exposições podem ocasionar forte irritação das vias respiratórias e também a febre dos

fumos metálicos;

Vanádio (componente de certas ligas) – Exposições continuadas podem ocasionar intoxicação com lacrimejamento, ardor nos olhos, rinite, angina e tosse; bronquite com expectoração e dor torácica, doença pulmonar crônica com enfisema;

Titânio e chumbo em soldas podem ser consideradas desprezíveis, devido as baixas concentrações e raridade das emissões.

Estudos realizados constataram que o aumento da corrente elétrica no eletrodo, a utilização de gás de proteção ricos em dióxido de carbono e as características da transferência metálica entre o eletrodo e a peça em processo de soldagem podem contribuir para o aumento da exposição do soldador aos fumos metálicos.

Em contrapartida, o mesmo volume depositado de cordão de solda, quando em menor tempo, reduz a exposição do soldador aos fumos.

Também, o arame tubular aumenta a exposição do soldador aos fumos metálicos em relação ao arame maciço.

Os fumos de soldas emitidos durante as operações de soldagem a arco elétrico constituem risco potencial para à saúde do trabalhador. Em função dos elevados teores de cromo e níquel dos aços inoxidáveis, o risco potencial decorrente dos fumos emitidos por estes materiais é majorado substancialmente. Portanto, é necessário o conhecimento dos eletrodos e dos materiais que estão sendo utilizados no processo de soldagem para que possamos viabilizar os monitoramentos ambientais e biológicos, bem como, a tecnologia de proteção contra acidentes.

As informações necessárias sobre a composição química dos eletrodos e suas emissões podem ser adquiridas nas Fichas de Informações de Produtos Químicos (FISPQ). Outras informações por lote mais específicas, no SAC – Serviços de Atendimento ao Consumidor do fabricante.

Afecções respiratórias decorrentes da inalação de gases, fumos, vapores e outras substâncias incluem efeitos de curto e longo prazo. Já a natureza e os efeitos de curto prazo dependem do sítio principal de ação primária, da concentração do agente no ar e do tempo de exposição. O local da ação primária depende da solubilidade em água dos gases, fumos e vapores e do tamanho da partícula.

Através destas informações pudemos perceber que nenhum levantamento quantitativo de avaliação das exposições ocupacionais aos fumos metálicos pode demonstrar com segurança as reais exposições dos trabalhadores. A enorme variedade na composição química dos eletrodos e nos materiais soldados impede uma conclusão segura sobre o assunto. Quando as medições são realizadas em diversas situações e variedades de eletrodos e materiais é possível uma estimativa por meios das médias das concentrações ou estatisticamente. Tal dificuldade nos remete para apenas uma forma segura de garantir a saúde dos soldadores: Investimentos em Tecnologias de Proteção Coletiva e monitoramentos ambientais e biológicos.

Webgrafia:

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-92242010000200004

http://www.scielo.br/pdf/jbpneu/v36n6/v36n6a17.pdf

http://www.infosolda.com.br/biblioteca-digital/livros-senai/higiene-e-seguranca/43-fumos-metalicos.html

http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2007000600022

http://heitorborbasolucoes.com.br/manual-de-procedimentos-para-os-servicos-de-saude/

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