Gestão da Emoção

Postado por em dezembro 2, 2014 em Artigos Técnicos, Materiais para Ler e Baixar | 0 comentários

Gestão da Emoção

Gestão da Emoção – Por Heitor Borba.

A Inteligência Emocional – IE está cada vez mais em moda e buscada por gestores e empresários.

Atenção: Este artigo não é elaborado por psicólogo e não serve como base para elaboração de trabalhos escolares. Se você é psicólogo não leia este artigo.

Para o ambiente de trabalho os especialistas apresentam o argumento de que se a IE estiver bem desenvolvida e conhecida entre os trabalhadores os mesmos terão habilidades para lidar com situações de extrema pressão. Essas habilidades podem trazer benefícios sobre a equipe de modo a permitir a realização das atividades de um modo melhor e menos desgastante. Segundo esses mesmo vendedores de fórmulas mágicas os trabalhadores bem estruturados emocionalmente produzirão mais e melhor, sem desperdícios de tempo com os possíveis transtornos emocionais que possam surgir. Isso utilizando apenas alguns truques para lidar com a emoção. Só não disseram como lidar com os trabalhadores mal pagos, insatisfeitos e os que querem ser demitidos porque já passaram seis meses na empresa e podem receber o seguro desemprego.

Chama-se Inteligência Emocional – IE ao conjunto de habilidades ou a competência em lidar corretamente ou da melhor forma possível com as diversas situações existentes no trabalho envolvendo pessoas, como por exemplo, temperamento e personalidade ou habilidades interpessoais, que são as habilidades ligadas ao relacionamento entre pessoas (empatia, liderança, otimismo, capacidade de trabalho em equipe e de negociação, etc).

Em seu livro, o especialista Daniel Goleman mapeia a Inteligência Emocional da seguinte forma:

  • Autoconhecimento Emocional => Reconhecimento de um sentimento quando o mesmo ocorre em si mesmo ou nos outros, quando perceptível;
  • Controle Emocional => Habilidade de lidar com seus próprios sentimentos, adequando-os para a situação;
  • Automotivação => Capacidade de direcionar as emoções para um objetivo almejado;
  • Reconhecimento de Emoções => Capacidade de identificar as emoções das outras pessoas;
  • Habilidades Interpessoais => Habilidade em relacionamentos interpessoais.

Ainda segundo Goleman, há cinco componentes da IE:

  • Autoconsciência;
  • Autorregulação;
  • Motivação;
  • Habilidades sociais;
  • Empatia.

Geralmente as pessoas são fortes em algumas dessas áreas e deficientes em outras. Ninguém é perfeito. No entanto, há que se considerar que um bom gestor, por exemplo, deve possuir no mínimo uma linha mediana entre em seus pontos fracos e fortes. Isso não significa que não podemos melhorar em todas essas áreas. Qualquer ser humano pode desempenhar bem todas essas áreas, mas depende de conhecimento e dedicação (Só não sei até que ponto cada trabalhador está motivado para buscar essas habilidades).

A Inteligência Emocional pode ser entendida por meio de três habilidades fundamentais:

a)    Perceber as próprias emoções e as dos outros;

b)    Usar o lado emocional para facilitar o pensamento;

c)    Entender as emoções e manejá-las em si mesmo e nos outros.

Em linhas gerais Inteligência Emocional é a capacidade de administrar nossas emoções de modo que possamos atingir nossos objetivos. Ou seja, é racionalizar nossas emoções ou controlar nossas emoções pela razão. Isso seria muito bom. Muitas mortes, brigas de transito, vinganças, desavenças e contendas em geral simplesmente deixariam de existir, pelo menos na forma mais violenta. São pessoas que perdem oportunidades na vida porque não tem coragem de falar a coisa certa na hora certa. São pessoas que perdem viagens porque sentem pânico de avião e tantos outros males causados pela falta de controle emocional. Tem até os que cancelam voos e compromissos simplesmente porque alguém sonhou que o avião ia cair.

Mas nosso aparelho psíquico não funciona assim. Nossas emoções não são racionais e muitas vezes não queremos racionalizar emoção nenhuma. Por isso, essa técnica deve funcionar apenas para quem deseja muito atingir um objetivo e está disposto a pagar o preço.

Num País onde a maioria da massa trabalhadora é insatisfeita com o trabalho, decorrente das péssimas condições de trabalho, baixos salários e alta exigência da função, ainda tem gente preocupada com a Inteligência Emocional dos trabalhadores. Não trabalho com isso e nem quero, mas sou testemunha de sucessivos fracassos ocorridos em várias empresas que investiram pesado nessa estratégia administrativa. Mais interessante é que com uma simples entrevista junto aos trabalhadores envolvidos é possível perceber a falha da gestão: Baixos salários, pânico causado pelos assaltantes, cobranças desumanas e péssimas condições de trabalho (nessa ordem). Coisa que os especialistas não percebem ou não querem perceber.

Implantar a IE na maioria das empresas brasileiras de verdade (não públicas) é um desafio sem fim. As empresas multinacionais ou que possuem essas características são as mais fáceis, considerando o grau mais elevado de satisfação dos trabalhadores.

Outra questão é a designação dada de “Inteligência Emocional”. Inteligência Emocional não existe, considerando a impossibilidade da existência de “Inteligência Emocional”:

Inteligência: “Conjunto de todas as faculdades intelectuais (memória, imaginação, juízo, raciocínio, abstração e concepção)” – Dicionário Aurélio;

Emoção: “Que produz emoção, emotivo” – Dicionário Aurélio.

emoção 
e.mo.ção
sf (fr émotion1 Ato de mover (psiquicamente). 2 Psicol Complexo estado moral que envolve modificações da respiração, circulação e secreções, bem como repercussões mentais de excitação ou depressão; nas emoções intensas as funções intelectuais deperecem ou se desorganizam. 3 Comoção, abalo (sentido físico ou moral).
” – Dicionário Michaelis.

Pelas definições acima concluímos que a razão nunca foi amiga da emoção. Se esses dois entes fossem colocados num gráfico iriamos perceber que a razão é inversamente proporcional à emoção. Quando a emoção sobe a razão diminui e vice-versa. Inteligência Emocional está mais para Gestão da Emoção. A emoção não possui inteligência, mas pode ser gerida a nosso favor até certo ponto e em determinadas situações.

Psicologia não é ciência exata. Aliás, há questionamentos sobre a base científica da psicologia.

A Gestão da Emoção não é fácil. Há necessidade de elevado nível de autoconhecimento, treinamento e persistência. Por isso, funciona apenas quando o individuo pretende atingir um objetivo muito almejado. Fora disso não funciona. Também há a possibilidade de pessoas inescrupulosas alterarem seus sentimentos para aplicação dessas habilidades de forma falseada, fabricando impressões falsas a seu respeito com o objetivo de manipular pessoas.

Em algumas situações percebo que para ser um expert em Inteligência Emocional é necessário ser falso e até pisar o próprio caráter.  Se eu não gosto de uma pessoa eu deixo isso claro para a pessoa e para todos os outros em minha volta e não pretendo gerenciar minhas emoções de modo a fingir que adoro aquela pessoa. Mesmo que para isso tenha que desistir dos meus objetivos.

Para tratamento das fobias já existe recurso fora da Inteligência Emocional, sendo a técnica da IE mais aplicada para facilitar a convivência entre pessoas e aumentar a resiliência, que é outro ponto controverso.

Sem dúvida que a IE é um recurso válido e que pode ser aplicado em diversos casos específicos, desde que identificadas necessidades mais latentes.  Mas a alegação de que os possuidores dessas habilidades devem fazer uso das mesmas com ética não passa de palavras ao vento. Quem e como irão fiscalizar a ética desses indivíduos?

Creio que atualmente seja consenso entre os trabalhadores que a IE é mais necessária no momento em que o trabalhador é abordado por algum marginal. Aí, sim, há uma necessidade enorme de gerenciamento de emoções.

Certamente vão dizer que eu não sei o que é Inteligência Emocional, não sou especialista no assunto, não possuo formação na área, etc No entanto, o que interessa para mim é que eu conheço os meus limites e sei muito bem o que quero e o que não quero. Não tenho formação nenhuma na área, mas sei que jamais participaria de uma dinâmica de grupo onde tivesse que sentar no colo dos demais candidatos para poder ser aprovado numa seleção para emprego. Situação constrangedora que tomei conhecimento há alguns anos atrás.

Eu também gostaria de controlar de modo eficiente todas as minhas emoções. Mas para chegar a essa plenitude fatalmente terei que passar por cima do meu EU, o que não estou disposto a fazer. Desenvolver essas habilidades até certo ponto e em certas circunstâncias e situações é válido, mas está longe de ser uma fórmula mágica para o sucesso profissional e empresarial, como pregam alguns.  Eu já acho artificial o agradável comportamento forçado de alguns psicólogos…

Webgrafia:

 

http://www.din.uem.br/ia/emocional/

 

http://www.plenitude.com.br/index.php?paginas_ler&artigos&id=1013

 

http://www.brasilpost.com.br/2014/01/24/sinais-inteligencia-emoci_n_4651027.html

 

http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/edicoes/196/noticias/o-lado-obscuro-da-inteligencia-emocional

 

http://www.sbie.com.br/8-dicas-para-um-dia-produtivo-e-sem-stress

 

http://www.portaldostrabalhadores.com.br/news-pt-br/2010-11-16/brasileiro-e-2-mais-insatisfeito-com-salario-e-trabalho/

 

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=emo%E7%E3o

 

http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=emo%E7%E3o

 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia

 

http://www.psicologia.spo.com.br/textos_psicologia_como_ciencia.htm

 

http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/skinner/A_Psicologia_pode_ser_uma_ciencia_da_mente.pdf

http://www.psicologia.pt/artigos/ver_opiniao.php?codigo=AOP0220

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-25551998000200004&script=sci_arttext

 

 

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