Enganação das máscaras chega em Pernambuco

Postado por em abril 23, 2020 em Artigos Técnicos, Materiais para Ler e Baixar | 0 comentários

Enganação das máscaras chega em Pernambuco

Enganação das máscaras chega em Pernambuco – Por Heitor Borba

 

O Governador de PE assina Decreto que torna obrigatório o uso das máscaras caseiras.

O Decreto foi assinado nesta quinta-feira (23/04) e entra em vigor na segunda (27/04), obrigando o uso das enganações de proteção para funcionários e colaboradores dos estabelecimentos comerciais com funcionamento permitido. Agora sim, vamos poder aumentar o número de infectados.

Olha o que diz a NOTA TÉCNICA GVIMS/GGTES/ANVISA Nº 05/2020 – ORIENTAÇÕES PARA A PREVENÇÃO E O CONTROLE DE INFECÇÕES PELO NOVO CORONAVÍRUS (SARS-CoV-2) EM INSTITUIÇÕES DE LONGA PERMANÊNCIA PARA IDOSOS (ILPI) da ANVISA sobre as máscaras caseiras:

Observação: Máscaras de tecido não são recomendadas, sob qualquer circunstância.

E sobre a tão debatida higienização das máscaras por parte da mídia:

Atenção: NUNCA se deve tentar realizar a limpeza da máscara já utilizada com nenhum tipo de produto. As máscaras cirúrgicas são descartáveis e não podem ser limpas ou desinfectadas para uso posterior e quando úmidas perdem a sua capacidade de filtração.

Atenção: NUNCA se deve tentar realizar a limpeza da máscara N95 ou equivalente, já utilizada, com nenhum tipo de produto. As máscaras N95 ou equivalentes são descartáveis e não podem ser limpas ou desinfectadas para uso posterior e quando úmidas perdem a sua capacidade de filtração.

Trata-se de documento elaborado por uma Equipe Técnica formada por 10 especialistas e com revisão de pares formada por 3 revisores especialistas e um setor da vigilância sanitária. Mas quem sabe das coisas mesmos são os políticos.

O Governador também recomenda que toda a população utilize quando sair de casa:

Até lá, há tempo suficiente para todos aderirem a enganação de proteção“, disse o Governador (versão minha). As enganações podem ser industrializadas ou artesanais. O importante não é a proteção que não tem, mas fazer bonito para o Estado e para a OMS. Mas péra, a OMS não é aquela entidade política mantida pela indústria farmacêutica que serve de cabide de emprego para os apadrinhados dos governantes?

Por que não fazem um Decreto obrigando as pessoas a utilizarem respiradores N95, óculos vedados e cumprirem os demais protocolos de prevenção? É para utilizar as porcarias da China ou um lenço de cabelo serve? Até onde vai essa idiotice?

Mas político não é político se não soltar uma pérola:

“…são importantes [as máscaras] para evitar que seu usuário contraia o vírus, mas também igualmente importantes para reduzir o alastramento da doença“. Mas hein?

Só falta agora contratarem entidades mágicas para frear a pandemia…

Por que é que sempre que jornalistas e políticos querem saber de alguma coisa nunca perguntam a especialistas ou alguém da área?

A AESPE – Associação dos Engenheiros de Segurança do Trabalho de PE também publicou importante trabalho sobre essas medidas preventivas.

Considerando que a proteção minimamente eficiente seria:

a)    Instalação da tecnologia de proteção coletiva, como túneis de higienização, sistemas de aspiração do ar ambiente e não utilização do ar viciado;

b)    Aplicação das medidas administrativas ou de organização do trabalho como distanciamento social, limpeza de superfícies, elaboração, execução e fiscalização de procedimentos de higienização e treinamentos de capacitação;

c)    Utilização da tecnologia de proteção individual, como uso de protetores respiratórios PFF2 sem válvula e N95, juntamente com óculos vedados e os protocolos de higienização desses EPI, juntamente com os treinamentos para uso, colocação, higienização, retirada, guarda, conservação e substituição;

d) Instalação de barreiras em acrílico (para atendimento ao público) ou utilização de protetores faciais (para atendimento hospitalar ou ao público que não possa instalar as barreiras) contra respingos direto sobre o trabalhador (para os aerossóis produzidos durante a fala não funcionam, mas tem os “bocas de chuveiro”).

Em relação ao EPI, o mínimo recomendados seria protetor respiratório N95/PFF2 sem válvula e óculos vedados, para pessoas sadias evitar a contaminação. Para os já infectados, como prevenção para não contaminar os outros, máscaras cirúrgicas. As medidas acima devem ser instaladas conjuntamente para que sejam eficazes. A implementação incompleta não funciona. E caso o trabalhador se infecte com as enganações (e vai se infectar), apresentando sintomas por volta do décimo quarto dia do início das atividades, poderá entrar com um processo por danos morais contra o Estado, considerando que as empresas cumpriram as determinações do Governo. Podem processar também a China, para deixarem de ser toscos. Mas péra de novo: A China não é aquela maravilha comunista que escraviza os trabalhadores e explora o trabalho infantil?

Nesse momento de pandemia, surgem “especialistas” de toda sorte atestando cientificamente tecidos como filtros para protetores respiratórios. De repente, todo mundo virou especialista em proteção respiratória. Por ser uma área multidisciplinar, nem eu que trabalho exclusivamente com isso há quarenta anos sou especialista. Quem é leigo em Higiene Ocupacional acha que basta apresentar uma tabela de físicos ou químicos com resultados de teste de filtração, atestando cientificamente que determinados tecidos/filtros de papel filtram tantos por cento das partículas nas dimensões tal e tal, que já é o suficiente. Segurança do trabalho é algo mais complicado que isso e carece de várias áreas para que possa ser concretizada. A eficiência do filtro seria apenas o início desse processo. Para que esse tecido possa ser utilizado como filtro de protetores respiratórios (Peça Facial Filtrante-PFF) é necessário que uma equipe multidisciplinar verifique outros fatores, como por exemplo, permeabilidade do tecido, corte a ser realizado, designer, costuras, vedação no rosto, grau de esgarçamento do tecido, duração da eficiência ao longo do tempo, elasticidade/pressão necessária dos elásticos de fixação no rosto, fatores interferentes como suor, saliva e movimentação do usuário, condições de uso em campo, etc Isso se chama segurança do trabalho (área da higiene ocupacional) e apenas um diploma, seja lá de que for, não tem competência para deliberar sobre Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR). É para garantir esse processo que todos os EPI possuem o CA – Certificado de Aprovação/INMETRO/Normas Internacionais e laboratórios credenciados, que executam rigorosos testes de eficiência (ver “Artigos relacionados”). Um pedaço de pano não vai ser aprovado como PFF somente porque um doutor iluminado aprovou. E aprovou conforme a sua área de conhecimento e não da higiene ocupacional (que é a área competente). Interessante que esses pesquisadores, mesmo sendo totalmente ignorantes na área ocupacional, apresentam esses tecidos-filtros com a arrogância de quem descobriu a roda. São filtros tão bons que nenhuma indústria de EPI (que financia esse tipo de pesquisa) quer.

Não há nenhum estudo atestando que as máscaras caseiras filtram o vírus. Ainda mais sem nenhum tratamento eletrostático. E desafio qualquer um a apresentar esse resultado. O máximo que conseguem é reduzir as emissões das partículas líquidas em forma de aerossóis ou sprays (que podem estar infectadas) quando da tosse ou do espirro do doente. E é só isso. Máscaras caseiras não protegem ninguém de ser infectado. Se não tem EPI de verdade, as máscaras caseiras devem ser substituídas pelo isolamento ou distanciamento social. Isso sim, evita a contaminação. O número de infectados está aumentando a cada dia. Deve ser o uso de máscaras caseiras. Enganar as pessoas com máscaras caseiras, protetores faciais e barreiras em acrílico, expondo a vida das mesmas ao perigo, não é uma coisa legal. Quem faz isso merece no mínimo ser ridicularizado.

Essa classe política me surpreende a cada dia. Num país que não consegue ser soberano nem para os bandidos, ouvir político é diversão garantida.

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