Decameron: As duas faces de uma tragédia

Postado por em março 24, 2020 em Artigos Técnicos, Materiais para Ler e Baixar | 0 comentários

Decameron: As duas faces de uma tragédia

Decameron: As duas faces de uma tragédia – Por Heitor Borba

 

Estamos vivenciando mais uma tragédia mundial (que não foi a primeira e não será a última). Nosso Decameron já apresenta as suas duas faces.

Decameron (do grego antigo: deca=dez e hemeron=dias), consiste numa coleção de cem novelas escritas por Giovanni Boccaccio entre 1348 e 1353. O livro contêm cem contos contados por um grupo de sete moças e três rapazes que se abrigam em uma vila isolada de Florença (Itália) para fugir da peste negra.  Os vários contos de amor relatados em Decameron vão do erótico ao trágico. Há contos de sagacidade, piadas e lições de vida. Atualmente possui valor literário e ampla influência. É um documento sobre a sociedade da época. Escrito no vernáculo da língua florentina, é considerado uma obra-prima da prosa clássica italiana precoce.

Numa época em que não havia televisores, celulares e muito menos WhatsApp, sete moças e três rapazes contam suas histórias, denunciando o falso moralismo imposto pela igreja católica de então. Com suas roupas que cobriam o corpo do pescoço aos pés e desiludidos pela vida por não saberem se iriam sobreviver a tragédia, resolvem contar todos os seus podres. Como numa confissão em busca de redenção pelos pecados, colocaram para fora tudo de podre que estava dentro deles.

Somente após a pressão de uma grande tragédia, frente a morte certa, conseguiram ser eles mesmos, abrindo seus segredos mais íntimos e se tornando transparentes com um vidro.

A pandemia que estamos vivenciando não foi a primeira e não será a última. Isso porque existe uma coisa chamada evolução, onde uma molécula de RNA, DNA ou as duas (que se forma por combinação química), atrai para si moléculas proteicas (também por combinação química), formando vírus, que continuam evoluindo conforme certas condições ou variáveis internas e externas. Os vírus não são novos, sempre existiram, apenas alguns ainda não infectaram serem humanos. A origem dos vírus ainda não é consenso entre os cientistas, mas todos concordam que a base dessa origem é a TE (Teoria Sintética da Evolução). No entanto, é interessante como as pessoas, inclusive os especialistas, evitam a palavra “evolução” em seus argumentos. Enquanto o politicamente correto sobrepõe a verdade, o politicamente religioso e mentiroso impera sobre o fato científico. Isso é  facilmente observável na mídia. Parece que ninguém quer saber a verdade ou a realidade de nada, mas apenas ouvir e ver o que lhe convém.  Mas isso tem explicação: apenas 5% da nossa população é alfabetizada cientificamente. Temos doutores e cientistas que são analfabetos científicos. Sabem apenas repetir procedimentos científicos pré-estabelecidos pelos verdadeiros cientistas.

Há três hipóteses principais sobre a origem dos vírus:

HIPÓTESE PROGRESSIVA/ESCAPADA

Esta hipótese afirma que os vírus surgiram a partir de elementos genéticos que ganharam a habilidade de se mover entre as células;

HIPÓTESE REGRESSIVA/REDUTIVA

Esta hipótese afirma que os vírus são restos de organismos celulares;

HIPÓTESE DE VIRUS-FIRST

Afirma que os vírus co-evoluíram com seus atuais anfitriões celulares.

Como podemos perceber ainda não há uma Teoria Científica sobre a origem dos vírus. Mas isso não significa que eu posso publicar um vídeo explicando a origem dos vírus de outra forma ou “refutando” as hipóteses científicas atuais. Ciência requer peer review ou refereeing.

COVID-19 (do inglês Coronavirus Disease 2019) é uma doença infeciosa causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2). COVID-19 é a doença. Coronavirus é o vírus ou o agente infeccioso.

Cada coisa no universo funciona conforme a sua natureza. As combinações químicas funcionam sozinhas porque a natureza é assim. O DNA é uma molécula sem vida, mas que tem a propriedade de se replicar em cópias idênticas, bem como, se modificar e passar adiante essa modificação (evolução). Evolução não significa melhoria. Do mesmo modo, as infecções também ocorrem quando as condições são propicias. Sim, a natureza tem seu lado ruim e antiético. Quem não acredita na TE não deve se preocupar com vírus e nem tomar vacinas ou antibióticos. Vírus surgem em função da evolução. Vacinas e antibióticos são elaborados com base na TE.  Não tem nada a ver com bíblias, profecias, Nostradamus, conspiração global ou qualquer outra besteira nesse sentido. Basta alguma crise para as ideologias surgirem. Ideologias e paixões embotam a razão. Daí começa o show de insanidades na internete. As idiotices se multiplicam mais que o vírus. “Especialistas” em COVID-19 surgem do dia para noite. Ninguém pensa em buscar informações em fontes oficiais ou indexadas e com revisão de pares. Por isso pagam mico, passam ridículo e insultam a inteligência dos outros. Além de cometerem crime por colocar a vida dos outros em perigo com informações falsas e perigosas. Antigamente só eram adeptos a ideologias pessoas de baixa escolaridade. Hoje vemos pessoas de nível superior seguindo essas besteiras. Deve ser a educação Paulofreiriana… Receber cargos e títulos políticos é fácil. Assim como, enganar jornalistas (mesmo os franceses) e o restante da população de analfabetos científicos. Difícil é ter estudos publicados em indexadores científicos.

Para isso acabar mais rápido e com menos danos possível, siga as recomendações das autoridades sanitárias do País, desde que fundamentadas na ciência. Lembrando que se essa situação demorar muito, após o controle da pandemia teremos o caos econômico, com muita gente passando fome, saques, arrastões, roubos, homicídios, etc  Estamos em guerra, onde todos os recursos serão direcionados para o combate. E no caso de faltar dinheiro para a guerra, o Estado poderá confiscar bens e recursos das cadernetas de poupança dos cidadãos, como sempre aconteceu. Já vimos essa história antes. Não há nada de novo sob o sol. O Brasil não suportará uma paralisação da economia por quatro meses. Por isso, siga rigorosamente as recomendações para evitar o contágio e podermos sair dessa o quanto antes. Talvez fosse mais barato isolar os vulneráveis (isolamento vertical) e expor o restante da população normalmente para manter a economia. Claro que há necessidade de estudos e implementação de Planos de Emergência (coletivo e individual) para o combate ao corona vírus. Esses Planos devem conter os protocolos preventivos a serem seguidos na empresa e na casa do trabalhador (quando chegar em casa). Nas empresas devem ser aplicadas medidas como lavar as mãos, tomar banho, trocar de roupas e sapatos e higienizar objetos ao chegar, distanciamento entre trabalhadores, utilização de máscaras, luvas, etc No âmbito individual as medidas devem ser aplicadas pelo trabalhador logo ao chegar em casa, como pisar em pano embebido em cloro colocado na entrada da porta, retirar roupas, sapatos e objetos de uso pessoal próximo a porta de entrada, higienizar maçanetas, objetos, celulares, chaves, carteiras, etc e tomar banho. Nesse momento devem ser excluídos uso de adornos pessoais. Os que não fazem parte de grupo de risco (idosos, hipertensos, diabéticos, etc) precisam trabalhar ou o País vai afundar. Não existem atividades essenciais que não podem parar. Todas as atividades são essenciais. O fabricante de álcool gel precisa do cortador de cana, da usina, do agricultor, do fabricante das embalagens, das transportadoras, etc E o ar condicionado do hospital? O lixo, quem vai recolher e tratar? Onde estão as atividades essenciais? Numa situação dessa, todos os ministérios devem estar envolvidos. Cada um apresentando uma solução em sua área. Por exemplo, o Ministério da Ciência e Tecnologia poderia estar desenvolvendo protótipos de respiradores que permitissem mobilidade dos leitos e alternância de pontos de oxigênio. Poderiam desenvolver também, Equipamentos de Proteção Individual descartáveis para o pessoal da saúde e a preços menores que os do mercado. A esterilização é quase o mesmo preço do equipamento. O que vejo é muita gente, que apesar de competente, não é cobrada para exercitar sua competência. E não há cobrança porque há analfabetos científicos no comando da coisa. Pode e deve ser encontrado um meio termo ou as pessoas vão morrer por outras causas. Em nossa época, não é possível que alguns ainda deem ouvidos a um idiota que acha que refutou a teoria da relatividade com um vídeo no YouTube.

De repente, todo mundo virou religioso e amiguinho de algum deus, achando que os deuses não percebem hipocrisia (será?). Todos desenvolveram instantaneamente uma fé inabalável em seus deuses preferidos. Sem falar nos amiguinhos dos gurus da vida, como os burrinhos de astrólogos e conspiracionistas e os robozinhos de políticos, que ficam replicando mensagens tendenciosas nas redes sociais como se fossem verdades. Mas se aglomerar em templos nunca foi uma boa ideia. Já conhecemos bem essa história que alguns insistem em repetir. Na contramão de toda essa fé, temos o total desaparecimento dos milagreiros, que até então curavam até hemorroidas. Troque orações, rezas e mandingas pelos procedimentos médicos para prevenção do contágio. O que está causando a síndrome do pânico é a falta de dinheiro que já chega aos lares. Quem sentir que está com a síndrome do pânico deve procurar de imediato um psicólogo que possa emprestar uma boa quantia, e de preferencia, a fundo perdido. Mas reconheço que há gente fresca o suficiente para ter síndrome do pânico mesmo com dinheiro e numa casa confortável e segura (sabe, aqueles marmanjos que contratam psicóloga para perderem o medo de dirigir?). Também há pessoas fracas da cabeça o suficiente para se viciarem em coisas terrivelmente chatas, como sermões de religiosos, Big Brother, Facebook, futebol e novelas.  E não tem classe para inventar mais besteiras e palavras inúteis do que ideólogos. Por isso, busque informações científicas e oficiais nos sites do governo. Apenas informações oficiais e de indexadores com revisão de pares são confiáveis. Pare de perder tempo com áudios e vídeos não oficiais. Alguns viraram especialistas no assunto da noite para o dia. Hoje recebi vídeos que tentavam convencer as pessoas que essa pandemia foi um grande complô mundial (ou da China) para acabar com a superpopulação do mundo ou devido a um acidente. Outro vídeo fala sobre cientistas chineses que criaram uma versão hibrida de um coronavirus proveniente de um morcego, há cinco anos, com base no indexador científico Nature (para passar confiabilidade).  Interessante que nenhum órgão científico ou de direitos humanos no mundo percebeu isso. Só um zé ruela vagabundo que se acha iluminado descobriu essa proeza. Há conspiracionistas que acham que a China soltou o vírus no próprio País, acabou com a própria economia, para depois ganhar muito dinheiro com os demais países com suas economias na banca rota. Golpe de mestre, hein? (SQN). A melhor prevenção ainda é ficar em casa, mas se precisar sair (como eu), siga as recomendações das autoridades sanitárias.

A desculpa de que não tem o que fazer em casa não se sustenta. Existe um milhão de coisas para se fazer. O problema é que alguns se acostumaram a viver a vida dos outros, como avós que vivem a vida dos netos, maridos que vivem a vida das esposas, pais que vivem a vida dos filhos, torcedores quem vivem a vida dos jogadores e profissionais que vivem a vida das empresas (ou dos patrões). Conheço gente que só tem vida profissional. Para esses, não existe o eu, não há identidade pessoal, mas apenas “emprego”, “cargo” e “profissão”. Ainda tem os que vivem a vida do carro e da religião. Realmente, muita gente vai ter que reaprender a viver. Tenho consciência que falar “fique em casa” com a geladeira cheia é bem mais fácil. Mas para aqueles que estão dentro de um barraco quente, junto com quatro a cinco pessoas passando fome (e não são poucos), fica difícil assimilar isso.

Finalizando, para o seu bem e o bem da sua família, pare de dar credibilidade e relevância a idiotices. Se você quer acreditar em besteiras, fique para você mesmo. Evite pagar mico, passar vergonha e colocar a vida dos outros em perigo. Essa face do nosso Decameron não agrega nada de bom. Pessoas assim são perigosas e podem colocar todo esforço a perder. Siga as recomendações para prevenção da COVID-19 anunciadas pelas autoridades sanitárias do País e vai dar tudo certo. E aqui vai uma reflexão: se os protocolos para prevenção da COVID-19 não funcionam por que aplicá-los? Se funcionam por que o isolamento social geral (horizontal)? Cientes de que a prevenção pode falhar para exposições de grande potencial, como é o caso do pessoal da saúde que trata acometidos por essa enfermidade. Há também os vulneráveis, cujo risco de contaminação deve ser reduzido a zero. Resumindo, os tipos e os níveis das ações preventivas devem ser ajustados de acordo com o cenário. Se há necessidade de vestimenta impermeável completa e de utilização de respiradores autônomos (pressão positiva), que seja determinado dessa forma. O que não pode é parar tudo, como alguns estão propondo. Pode e deve ser estabelecido um meio termo, despolitizado, sem ideologias ou paixões. Não, EUA não é exemplo de prevenção de nada, mas apenas um país rico que pode disponibilizar mais recursos do que o Brasil. Só isso.

O mundo pós pandemia será melhor ou pior que antes? Depende. Se for desenvolvida uma vacina voltará a ser o que era. Caso contrário, será pior. Aqui há de se fazer uma reflexão: é possível desenvolver uma vacina para o coronavírus? É bom lembrar que até hoje não descobriram a vacina da AIDS. Há limites científicos frente aos conhecimentos atuais e o coronavírus é estruturalmente tão complexo quanto o HIV. Caso uma vacina não seja desenvolvida, vamos ter que conviver com o vírus e essa situação permanecerá por muito tempo. Essa convivência fará o mundo pior do que já é. Muito mais chato, fresco em sem emoções. E quem não se adaptar certamente morrerá em decorrência do relaxamento da prevenção, desânimo, depressão e perda da vontade de viver num mundo tão hostil. As empresas deverão criar novas formas de trabalho, com prescrição de trabalho em home office e cumprimento dos protocolos de prevenção. A automação será foco em todas as atividades. A construção civil adotará máquinas para quebra de estrutura, levantamento da alvenaria, emboço e revestimento. O comércio em geral priorizará as lojas virtuais. Os supermercados se transformarão em estacionamentos com gondolas giratórias de produtos. Bancos, escritórios e dinheiro em espécie serão extintos. Profissões como motoristas, operadores, advogados e toda sorte de trabalho manual serão extintos. O Estado controlará nossas vidas mais de perto e a liberdade será cerceada. Estamos nas mãos da ciência e daqui por diante será ela quem definirá nossos destinos.

Nesse momento, expresso os meus agradecimentos e justa homenagem aos verdadeiros heróis dessa guerra, os auxiliares de serviços gerais dos hospitais que trabalham nas alas vermelhas. Esses estão expostos diretamente aos riscos, seguidos pelos auxiliares e técnicos de enfermagem, enfermeiros e médicos.

No entanto, ressalto a necessidade de mais estudos para adequação das medidas preventivas atualmente conhecidas e aplicadas. Medidas preventivas que atrapalham não são eficazes. E as medidas adotadas até hoje são eficientes (evitam o contágio), mas não são eficazes (acabam com a economia do País).  O ideal seria uma vacina, mas em função do próprio Método Cientifico (MC) isso vai demorar e não temos tempo. Ciência se faz com muito estudo, experimentos, testes, ajustes, revisões e réplicas e não com videozinhos no youtube. Será que não há ninguém no governo com capacidade para desenvolver medidas preventivas eficientes e eficazes contra o contágio do coronavírus? Será? Somente dessa forma vamos poder sair dessa o mais rápido possível e retornar a nossa normalidade sem muitos danos. O mundo agradece.

PS: O artigo não é agressivo. Considerando o alto grau de periculosidade de alguns,  até que peguei leve.

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